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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Paixão errante


A pujança dos teus risos é o espanto e o maravilhamento
Despontado a intenção ao elogio da nudez
Um princípio inegociável no Direito de Ariano Suassuna
Para os rapazes fugirem das rédeas do poder clerical.

Os adornos dos teus desejos deveriam ser refreados
Antecipado por hábitos degredados por força do coração
Um viver visto como inferior e demonizado
Para as mulheres taurepans feitas por fogo em pó.

O capricho dos teus amores em resposta àquelas relações opressoras
Designado vas preposterum para conseguir delações
Um registro de esconder seu desalento e polução
Para todos que absolviam todo tipo de lubricidade.


Isaac Medeiros
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sábado, 16 de novembro de 2013

Alteração


Alterou o mundo
Um novo Weor
A vida agora é luz
E machuca
Escondo o novo de ninguém
E amo
Esquecer a alteração.


Isaac Medeiros
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O trabalho Alteração de Isaac Medeiros foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.
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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

17:01


Andar sem olhar
É navio ao fundo do mar
Falta de atenção
Por ausência de oração.

Toda sua influência
Promove minha ausência
Destrói aquele casal
E a antiga moral.

O silêncio em vermelho
Quebrou meu espelho
Esquerdo, no domingo
Esqueci todo ensino.

Um quase partir
Faz náusea não sair
Apenas os segredos
Da morte ficou medo.


Isaac Medeiros
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quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Ainda há o tempo


Ainda há quem imagine a atmosfera oitocentista
As promessas de moda e as aventuras de um ambiente lasso
Por isso perpetuou pelo congraçamento da luta social
A relação espúria e desigual da literatura com sua multiplicidade.

Ainda há acusações de mandingueiro contra Raul
E detentor de artes diabólicas seus herdeiros
Vêm das Ordenações Filipinas o valor do estigma
Que poderia suscitar temas polêmicos caso não se amiudasse.

Ainda há o tempo, a solidão e a violência
Da soberba criatura complexa tida como meretrícia
Para o enlace entre donzelões intransigentes e mulheres públicas
Compelidas a pagar seus deslizes como vivandeiras escandalosas.

Ainda há influências do meio no agir impulsivo
Nas consequências funestas dos desvios instintivo e irracional
Equilibrar uma ética domesticada e regeneradora
Produzia o controle e a regulação moral dos indivíduos.

Ainda há degeneração social, especialmente à noite
Quando o mais irremediável dos instintos domina
São as vítimas da miséria e da indigência
Um símbolo do combate às doenças venéreas.


Isaac Medeiros
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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Duas Estações


Incorporando estações se alastrou com profundidade
Um certo afastamento do mundo
E o uso de imagens sob suspeita
Nenhum inverno encontrou eco no sertão.

Reformando valores para uma vida regrada
Onde intelectuais preservam o pluralismo romântico
Em não questionar a imensa desigualdade moral
Nem suas experiências pessoais de fé.

Afastando a possibilidade de rigidez no estilo de vida
Será revitalizada a dimensão mágica da existência
Pelo apego ao sentido social da longevidade
No verão a norma era inversa.

Estudando Ballard Dunn para criar um presente
E William Norris uma bem organizada liderança
Nossa terra de umidade e intérpretes que não vingaram
Um tipo de alter ego preguiçoso surgiu como dádiva.


Isaac Medeiros. 
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terça-feira, 1 de outubro de 2013

Ao nosso novo avanço


À Daniel Poésio

Em meio a fumaça arrefeço o terror
Nada poderia escapar ao sentimento de desconfiança
Ou cobiça e incompreensões de parte a parte
Não há destino para o ineditismo do ser
Aqui a atuação é nosso mais longevo pecado
Do progresso inspirado no individualismo do pensar.

A pujança aristocrática e segregadora é satânica
Semelhante a todo o cacoete de republicano radical
Com discurso velado de agressões e abusos ao positivo amor
Não há perdão para a valorização de privilégios
Afinal Bill Aberdeen coletou apenas a solidão dos mares
Enquanto a Lei Eusébio proliferou um amplo uso da retórica materialista.

Unidos ou não, seguimos a convicção de transitar sozinhos
Nossa educação constrói e divulga ideias sediciosas
O antigo Movimento dos Direitos Civis agora é das autoridades
Queremos imediata liberdade de supermercado
Revoltosos sobre quem somos, alastrou-se
Ironicamente, vítimas de seus próprios medos.


Isaac Medeiros.
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segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Jamais

À Chorão e Champignon


Jamais imaginei viver da maneira que estou
Jamais pensei enfrentar a mim mesmo
Lutar contra suas próprias angústias: desejo que esgotou
E muito pior, os temores andam a esmo.

Jamais desejei ouvir o que escuto no cotidiano
Jamais quis ver todo esse sangue
Jamais supus o fim disto cheio de meandro
Porque sei que jamais conseguirei vencer aqui no mangue.

Jamais lutarei por essa luz inesgotável
Que quanto mais o tempo passa
Mais sua força se mostra insuportável.

De que vale possuir tantos livros coloridos
Nascerem tantos poetas
Se não aprendestes a ler essas paredes corroídas?

Escrevo essas palavras e lembro o passado
Sonhei com isso. E quando falo jamais
Não consigo esquecer o recado aficionado
Que o homem jamais deve dizer jamais.


Isaac Medeiros.
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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Aos maneiristas


À Hugo Carvalho

Muito sólido desprezo não partira
Essa vergonha burguesa me movia
E meu suicídio não sentira
O semblante, o temor, a mania.

O fracasso de ampliar a experiência
Por meio da apropriação da ficção
E modos de dizer sem paciência
São correias de transmissão e estimação.

Aprofundo a relação com o outro
Em um trabalho reflexivo, esquecida
Minha arte tolera voos soltos
Porque traça almas enfurecidas.


Isaac Medeiros.
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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

O perdedor


Perdi a oralidade lírica
Meu espírito é um museu
Guiado por eficácia sonora
Que descortina desejos turistas
E um processo lento de poeticidade.

Aboli toda sensibilidade
Com palavras que estimula a transmitir
Muito orgulho egresso de virtude
Por pequena abrangência das emoções
E auxílio-permanência.

Fugi dos provedores da violência
Em termos relativos e alocados
Destituídos de qualidade positiva
Oriunda da modernidade
Não perpetuando valor.


Isaac Medeiros
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terça-feira, 30 de julho de 2013

Fabulando III


Não busco fama, muito menos luxúria
Quero apenas ser feliz, morrer e desaparecer em um mar de glória.
Tenho temor a várias coisas, mas não acho isso ruim
Pior seria se muitas coisas temessem a mim.

É difícil manter-se vivo quando o que mais se teme é a morte.
Um sábio nos disse que abrandamos o medo da morte com a vontade de viver.
O motivo por nunca ter definido um ideal de vida é o medo de consegui-lo.
Se a morte é a libertação, meu Deus,
Deixe-me preso por muito tempo e liberte-me apenas para minha salvação.


Isaac Medeiros
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