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domingo, 8 de dezembro de 2013

As lições nebulosas existem


Se todos os sentidos do corpo indicam o que os afeta,
ignoro o que mais se possa exigir deles.
Agostinho.

Pela manhã tua boca fala com a desenvoltura de quem canta
Por isso o abraço aponta onde estão as obras do corpo
Do ponto de vista da gratidão estamos estagnados
Durante os segundos que explicam estratégias de concretização
Houve um entrave, sob pena de prejudicar nosso processo evolutivo.

Não sonho criar mecanismos de financiamento e de acesso à beleza
É uma questão de definir padrões e reconhecer sistemas
Ainda precisamos urgentemente conhecer a si próprio
Podemos pensar em outros insumos voltados para a satisfação da alma
Mas os espíritos vulneráveis em relação ao sofrimento estão na ociosidade.

Somente à tarde sinto o vento de nossa janela demográfica
Você tem a cultura de responsabilizar a razão pela falta de preparo
A solidez capaz de suplantar o caráter transitório
E equitativo de sentir a ausência do silêncio
Impera o direito de intervir nos valores hegemônicos.

Não suponho que a fronteira entre o necessário e o possuído
Hoje fique mais tênue ou as contradições menos exacerbadas
Mediante a ampliação do desespero único no teu inferno
Seco e processual também passaram a ser interpretado de outra forma
Um lar onde realidade e linguagem não se prendem.


Isaac Medeiros.
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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Para sempre

À Iracilda Medeiros

I

Distante de ti lembrarei os pequenos abraços
Carro e bicicleta sempre se perdem
E diante disso eu abdicarei feliz dos teus sapatos
Tu me esqueceras como desejo de velho
Como o primeiro aniversário do avô do asfalto
As caminhadas continuarão a finalizar todas as tardes
Os lugares estranhos ainda me assustam
Evita o escuro para melhor sonhar.
Tua ausência é forte mesmo na primavera.
Busco a solidez em mim
Na direção do horizonte.

II

A sua ação me provoca arrepios
Escuto o silêncio amargo e dependente
Longe eu perco os sorrisos das mulheres
Diferentes na vontade que nunca falaram de ti
Evita que os ventos destruam teus penteados,
Esses sempre acalmaram um dia sem mim
Sem passeios curtos, sem grandes sombras.
Tem naquele que não foi a sua perna que me acompanha
Que me prende fraco em pouco tempo.
Nós seríamos únicos, porque teu grito eu o completo.
Evita que as chuvas caiam sobre tuas roupas.
Essas te marcaram por demais
E às vezes fez mares de lágrimas
Que nunca esqueceras.

III

Lembrarei as tuas promessas de vinda.
Os almoços felizes estão no meu desejo.
Descansarei sem ti como o primeiro santo
Que levado pelo esquecimento não cantará.

IV

Lembrarei os teus pecados cometidos.
Os parques estarão vazios sempre
O carrossel e a roda gigante.
Sua orelha não mais pesará
Metal e plástico sobre o amarelo.
Seu nariz não mais sangrará
O branco do lenço que recebeu ao amanhecer
Pois dançaremos música clássica
Na estação que deverá ser primavera.
Para sempre lembraremos ela como o primeiro beijo
Para sempre estarás comigo.


Isaac Medeiros
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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Paixão errante


A pujança dos teus risos é o espanto e o maravilhamento
Despontado a intenção ao elogio da nudez
Um princípio inegociável no Direito de Ariano Suassuna
Para os rapazes fugirem das rédeas do poder clerical.

Os adornos dos teus desejos deveriam ser refreados
Antecipado por hábitos degredados por força do coração
Um viver visto como inferior e demonizado
Para as mulheres taurepans feitas por fogo em pó.

O capricho dos teus amores em resposta àquelas relações opressoras
Designado vas preposterum para conseguir delações
Um registro de esconder seu desalento e polução
Para todos que absolviam todo tipo de lubricidade.


Isaac Medeiros
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sábado, 16 de novembro de 2013

Alteração


Alterou o mundo
Um novo Weor
A vida agora é luz
E machuca
Escondo o novo de ninguém
E amo
Esquecer a alteração.


Isaac Medeiros
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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

17:01


Andar sem olhar
É navio ao fundo do mar
Falta de atenção
Por ausência de oração.

Toda sua influência
Promove minha ausência
Destrói aquele casal
E a antiga moral.

O silêncio em vermelho
Quebrou meu espelho
Esquerdo, no domingo
Esqueci todo ensino.

Um quase partir
Faz náusea não sair
Apenas os segredos
Da morte ficou medo.


Isaac Medeiros
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quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Ainda há o tempo


Ainda há quem imagine a atmosfera oitocentista
As promessas de moda e as aventuras de um ambiente lasso
Por isso perpetuou pelo congraçamento da luta social
A relação espúria e desigual da literatura com sua multiplicidade.

Ainda há acusações de mandingueiro contra Raul
E detentor de artes diabólicas seus herdeiros
Vêm das Ordenações Filipinas o valor do estigma
Que poderia suscitar temas polêmicos caso não se amiudasse.

Ainda há o tempo, a solidão e a violência
Da soberba criatura complexa tida como meretrícia
Para o enlace entre donzelões intransigentes e mulheres públicas
Compelidas a pagar seus deslizes como vivandeiras escandalosas.

Ainda há influências do meio no agir impulsivo
Nas consequências funestas dos desvios instintivo e irracional
Equilibrar uma ética domesticada e regeneradora
Produzia o controle e a regulação moral dos indivíduos.

Ainda há degeneração social, especialmente à noite
Quando o mais irremediável dos instintos domina
São as vítimas da miséria e da indigência
Um símbolo do combate às doenças venéreas.


Isaac Medeiros
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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Duas Estações


Incorporando estações se alastrou com profundidade
Um certo afastamento do mundo
E o uso de imagens sob suspeita
Nenhum inverno encontrou eco no sertão.

Reformando valores para uma vida regrada
Onde intelectuais preservam o pluralismo romântico
Em não questionar a imensa desigualdade moral
Nem suas experiências pessoais de fé.

Afastando a possibilidade de rigidez no estilo de vida
Será revitalizada a dimensão mágica da existência
Pelo apego ao sentido social da longevidade
No verão a norma era inversa.

Estudando Ballard Dunn para criar um presente
E William Norris uma bem organizada liderança
Nossa terra de umidade e intérpretes que não vingaram
Um tipo de alter ego preguiçoso surgiu como dádiva.


Isaac Medeiros. 
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terça-feira, 1 de outubro de 2013

Ao nosso novo avanço


À Daniel Poésio

Em meio a fumaça arrefeço o terror
Nada poderia escapar ao sentimento de desconfiança
Ou cobiça e incompreensões de parte a parte
Não há destino para o ineditismo do ser
Aqui a atuação é nosso mais longevo pecado
Do progresso inspirado no individualismo do pensar.

A pujança aristocrática e segregadora é satânica
Semelhante a todo o cacoete de republicano radical
Com discurso velado de agressões e abusos ao positivo amor
Não há perdão para a valorização de privilégios
Afinal Bill Aberdeen coletou apenas a solidão dos mares
Enquanto a Lei Eusébio proliferou um amplo uso da retórica materialista.

Unidos ou não, seguimos a convicção de transitar sozinhos
Nossa educação constrói e divulga ideias sediciosas
O antigo Movimento dos Direitos Civis agora é das autoridades
Queremos imediata liberdade de supermercado
Revoltosos sobre quem somos, alastrou-se
Ironicamente, vítimas de seus próprios medos.


Isaac Medeiros.
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segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Jamais

À Chorão e Champignon


Jamais imaginei viver da maneira que estou
Jamais pensei enfrentar a mim mesmo
Lutar contra suas próprias angústias: desejo que esgotou
E muito pior, os temores andam a esmo.

Jamais desejei ouvir o que escuto no cotidiano
Jamais quis ver todo esse sangue
Jamais supus o fim disto cheio de meandro
Porque sei que jamais conseguirei vencer aqui no mangue.

Jamais lutarei por essa luz inesgotável
Que quanto mais o tempo passa
Mais sua força se mostra insuportável.

De que vale possuir tantos livros coloridos
Nascerem tantos poetas
Se não aprendestes a ler essas paredes corroídas?

Escrevo essas palavras e lembro o passado
Sonhei com isso. E quando falo jamais
Não consigo esquecer o recado aficionado
Que o homem jamais deve dizer jamais.


Isaac Medeiros.
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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Aos maneiristas


À Hugo Carvalho

Muito sólido desprezo não partira
Essa vergonha burguesa me movia
E meu suicídio não sentira
O semblante, o temor, a mania.

O fracasso de ampliar a experiência
Por meio da apropriação da ficção
E modos de dizer sem paciência
São correias de transmissão e estimação.

Aprofundo a relação com o outro
Em um trabalho reflexivo, esquecida
Minha arte tolera voos soltos
Porque traça almas enfurecidas.


Isaac Medeiros.
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