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quinta-feira, 20 de março de 2014

Caos e Dor


Maldito sejas, impiedoso pesadelo,
Teu despertar em tardes quentes e vis,
Em amargos féis traz o dissabor,
Com veneno arruína meu único néctar,
Porque as palavras quebram o silêncio, em fúria
E caos, sem a dor, nunca sentida.
Transformando infatigável crescimento
Para o túnel de luz da assombrosa noite.


Isaac Medeiros.
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sexta-feira, 14 de março de 2014

Palavras certas


Estou de cabeça baixa
Molhando os meus All Stars.
Estou tentando ficar calmo,
Sei que aparecerá por meio de uma leve solidez.
Estou imóvel e desordenado.
Estou procurando as palavras certas
Porque ainda estou muito nervoso,
Tentando não errar
Porque sei que você vale à pena.
Tenho coragem, mas não sei como dizer o que penso
Não pinto sobre o quanto você me deixa louco,
E sinto que queria com você caminhar todos os dias
Isso te sufocaria?
Tenho coragem, mas não sei como pedir que arrazoes
Quero ouvir você dizer:
– Case-se comigo!
Isso me alienaria?
Tenho coragem, mas não sei como ela desfaz meu dizer
Não escrevo sobre o quanto deveria desabafar,
E nessas linhas as palavras continuam faltando...
Isso nos definiria?


Isaac Medeiros
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sexta-feira, 7 de março de 2014

Filmes


e hoje diante do mundo somos como uma só vida.
Pablo Neruda.

I

A noite representa uma canção de estrada.
É uma noite limada.
As pessoas pensam pausadamente
Sem medo de gracejo e barulho.
Ninguém diz desrespeitos
Com sentido em si mesmo.
Com o vento da iluminação
Foi de romance na terça.
O sentido presente para representar
As mentiras destroem no quarto
E eu serei o primeiro velado.
Eu não posso fumar antes:
– Não vejam a solidão!
Perpassei os sorrisos que estão promovendo
Os aplausos vão promover.

II

O antes se venerou nos pensamentos,
Em beijos de vermelho.
Não sobra um pedido
Porque os relógios eram muito coloridos
De Che perto de Lennon perto do Bob.
Longe pintei uma menina
Uma senhora e uma taxista.
Eu fui um motorista medíocre,
Com pequenas curvas
Cheio de bobagens.
Amei aquelas meninas
Uma taxista e uma dançarina,
E estarão sempre aqui.


Isaac Medeiros
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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Você não apareceu


Estou de pé, ao lado de estranhos
Esperando ansioso
Pensei que você viria na hora combinada
Mas você não apareceu
Aquele teu sorriso lindo dá lugar aos risos falsos
Insisto em procurar pelo teu rosto, mas ele não se encontra!
Será uma noite longa... Parece que não vai ter fim
Tento encontrar alguma explicação
Para você não estar ao meu lado
Por que nada é certo em mim?
Está tudo tão confuso
E esta forma de solidão fere minha mente
Ninguém gosta de esperar.
Por que você não veio?
Queria segurar tua mão
E levar-te para algum lugar novo
Longe dessa confusão
E de todo esse barulho de nome carnaval
Mas você não apareceu
Vou para casa, já é dia, só me resta dormir.


Isaac Medeiros.
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sábado, 22 de fevereiro de 2014

Amargo adeus


Chuva matinal, fria de nascimento,
Hoje longa por desejos de constância, agrada
O carinho doce do amante; Segue em direção
O Leste, conduz o homem simples ao trabalho!
Aos pingos geradores! Ah, não abandones os pomares
Cinzas curvilíneas, vitalize a tua névoa
Celestial em cada gota que molha as pequenas sepulturas
No berço, com plena incerteza. E espalhe pelos córregos
Para encher o açude. O teu barulho é despedida,
Cresça o verde sobre o ouro. Rápida partida
Lhe convém; enquanto aos muitos se embrutece o homem
E a mulher pragueja nas poças do firmamento.
Nossos vizinhos dizem teu amargo adeus
Nas lágrimas: com a vastidão tua, fique, acolhe-os.


Isaac Medeiros.
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Quero que você vá


À Yasmim Nóbrega

Às vezes preciso relembrar como se sonha.
Às vezes quero que você fique longe de mim.
Às vezes fico tão pensativo que nem sei
Como consigo voltar à realidade.
Esqueça nossos momentos, nossos planos
Tudo aquilo que você mudou em mim.
Apenas deixe-me voltar ao que eu era
Eu quero que você vá!
Leve toda tua fidelidade.

Às vezes sinto que confio demasiado em ti.
Às vezes sinto que estou se ferindo
Às vezes fico tão pensativo que nem sei.
Mas sobre as escolhas, quero ficar sozinho
E quero que você vá!
Não preciso de você, não quero mais sentir vilipêndio
Não gosto de ser deslustrado
Não quero desculpas, não fique
Eu quero que você vá!


Isaac Medeiros

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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Como não pensar?


I
Estou tentando não pensar em você.
Todo esse esforço não tem valor
Porque a vontade de ti ver é enorme.
Minha querida, por que fazes isto comigo?
O que sinto por você não é suficiente?
Reconheço, tenho pouco a oferecer
Mas o pouco que tenho é todo teu.
Às vezes me pergunto sobre você
Se nos teus planos tem algo sobre mim,
Quando te escuto falar:
– Te amo!
Meu espírito se perde, voa longe
E quando torna minha boca está em seus lábios.

II
Tenho fé na incerteza, não é irreal
A incerteza é alimento do pensar.
Como não pensar em você se tudo que quero e espero lhe possui?
Deveria terminar escrevendo “te amo”
Mas ainda não sei o que é o amor
Apenas continuo aqui, esperando você.


Isaac Medeiros
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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Seis horas


Não precisa me culpar
Não precisa se calar
Muito amo teu falar

Não precisa embrutecer
Nem com o silêncio ofender
Muito amo teu cantar

Não precisa ameaçar
Não precisa telefonar
Muito amo teu andar

Se o sorriso sempre há, linda
A vida pouco se percebe passar



Isaac Medeiros.
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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Debilidade Juvenil


Não busques para lá.
O que é, és tu.
Está em ti.
Em tudo.
Cecília Meireles.

Não sou bom em português
Muito menos busco ser
Porém um verbo desejo conhecer

De que vale saber de tantos adjetivos?
Para que usar tantos substantivos
Se não sei conjugar um simples verbo?

Onde se aplica o verbo amar?
Sei que será difícil aprender
Ainda não sei utilizá-lo em primeira pessoa do singular!

Sei, não sou bom em português
Abuso de adjetivos e substantivos
Sempre que rimo com buquês.

É a minha mente redundante
Revisto meu erro revogante
E ganho minha nota provisória.

Sei, não parece psicodélico
Mas com meu pouco português aventuro
Em mundo criado tudo é obscuro.


Isaac Medeiros
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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Muito além das qualidades


Sobrevivo de trabalho sem relação com a Mesa do Desembargo do Paço
Sobre pele visto algodão em preto, linho verde e seda branca
Ao volante trago chá mate e tenho extrema antipatia por trânsito
Minha identidade e processo criativo se conectam.

Por diversos elementos da sofisticada tradição potiguar me comunico
Leio o autor e sua obra que só teve a aceitação e a valorização após a morte
Problemas de instabilidade e violência é uma modesta herança
O barulho é um verdadeiro empecilho a minha solidão.

A burocracia do cumprimento não é tão séria e continua como deveria ser
Pinto os tormentos sofridos e superados com a ajuda do vinho
Os amores, condensados em poemas, será uma hagiografia
Que inspirará a vida no campo em oposição ao classicismo de artistas contemporâneo.

Preciso imaginar novas formas de ver o povo, chega de Bartolomé
No espetáculo da democracia ainda experimento a capacidade de agir
Meu espírito não faz contato imediato com o mundo
É que o juízo fez parecer que a realidade imaginava metáforas.

Aquele tempo de silêncio e de suspeita é interpelado pela literatura
As mutilações infligidas no desejo exigem à reclusão circunspecta
Velhas formas elípticas de aludir ao poder controlam o isolamento
E a respiração que está um pouco menos artificial.

Consumo fenômenos novos e influentes na produção cultural
Uma doce alternativa ao desejo de romper com a opressão
Além de exteriorizar a aquiescência por meio de cânticos tradicionais
A costumaz ironia protagoniza conchaves e casos de servidão.


Isaac Medeiros.
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