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quarta-feira, 16 de abril de 2014

Rascunho definitivo

I

Quantos chãos eu já pisei?
Quantos nãos eu já levei?
Quantas lembranças eu chorei?
Quantas vezes eu encarnei?
E você?

Quantos amigos eu ganhei?
Quantos amores eu matei?
Quantas palavras eu calei?
Quantas dores eu cantei?
E você?

Quantos segredos eu já guardei?
Quantos versos eu já rimei?
Quantas mentiras eu jurei?
Quantas vezes eu não sei?
E você?

II

Das vidas sempre serei
Nas canções eu rezarei
E a paz um dia verei.

Ao lado estarei
Sorrisos não prometerei
E outras almas encontrarei.

O fim alcançarei
Poemas não lerei
E a alegria definirei.

Respostas não terei
Alguns sonhos viverei
E o eterno Deus amarei.



Daniel Poésio e Isaac Medeiros
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O trabalho Rascunho definitivo de Daniel Poésio e Isaac Medeiros está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
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terça-feira, 8 de abril de 2014

Escrever


Vou escrever diversas vidas
Escrever os significados inomináveis
Escrever, e de novo estarei aqui.
A cultura que volta pousará na esquina.
Escrever, com uma voz ao lado
No mundo assombrado da poesia.


Isaac Medeiros.
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segunda-feira, 24 de março de 2014

Rugas e cores


À Thiago Romero

Sou morador na cidade de sol, sou como um Kelpers
Aqui o único debate público sóbrio e maduro é sobre Deus
Quando no meio dos cachorros as pulgas não têm razão
Perdoar ou comutar as sentenças é ato de ficção.

Sou moderado, uso o direito de graça com parcimônia
Caminho em consonância com a política de abolição gradual da poluição
Minhas canções são arcaizantes ou de imitação da moral
Tenho também um ego do tamanho de um sono à tarde.

Sou contrário ao enforcamento, a cadeira elétrica, a injeção letal e a decapitação
No quarto tenho estoque de remédio para esquistossomose
Ainda traduzo os contos de Ivan Turgêniev
Ainda sou aquele menino vítima da superproteção.

Sou constante, calmo, pequeno e mentiroso
Na produção do novo, esqueço, refaço
Também não sei de números ou namoros
Eis aqui uma das minhas faces, com as rugas e sem as cores.


Isaac Medeiros.
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quinta-feira, 20 de março de 2014

Caos e Dor


Maldito sejas, impiedoso pesadelo,
Teu despertar em tardes quentes e vis,
Em amargos féis traz o dissabor,
Com veneno arruína meu único néctar,
Porque as palavras quebram o silêncio, em fúria
E caos, sem a dor, nunca sentida.
Transformando infatigável crescimento
Para o túnel de luz da assombrosa noite.


Isaac Medeiros.
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sexta-feira, 14 de março de 2014

Palavras certas


Estou de cabeça baixa
Molhando os meus All Stars.
Estou tentando ficar calmo,
Sei que aparecerá por meio de uma leve solidez.
Estou imóvel e desordenado.
Estou procurando as palavras certas
Porque ainda estou muito nervoso,
Tentando não errar
Porque sei que você vale à pena.
Tenho coragem, mas não sei como dizer o que penso
Não pinto sobre o quanto você me deixa louco,
E sinto que queria com você caminhar todos os dias
Isso te sufocaria?
Tenho coragem, mas não sei como pedir que arrazoes
Quero ouvir você dizer:
– Case-se comigo!
Isso me alienaria?
Tenho coragem, mas não sei como ela desfaz meu dizer
Não escrevo sobre o quanto deveria desabafar,
E nessas linhas as palavras continuam faltando...
Isso nos definiria?


Isaac Medeiros
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sexta-feira, 7 de março de 2014

Filmes


e hoje diante do mundo somos como uma só vida.
Pablo Neruda.

I

A noite representa uma canção de estrada.
É uma noite limada.
As pessoas pensam pausadamente
Sem medo de gracejo e barulho.
Ninguém diz desrespeitos
Com sentido em si mesmo.
Com o vento da iluminação
Foi de romance na terça.
O sentido presente para representar
As mentiras destroem no quarto
E eu serei o primeiro velado.
Eu não posso fumar antes:
– Não vejam a solidão!
Perpassei os sorrisos que estão promovendo
Os aplausos vão promover.

II

O antes se venerou nos pensamentos,
Em beijos de vermelho.
Não sobra um pedido
Porque os relógios eram muito coloridos
De Che perto de Lennon perto do Bob.
Longe pintei uma menina
Uma senhora e uma taxista.
Eu fui um motorista medíocre,
Com pequenas curvas
Cheio de bobagens.
Amei aquelas meninas
Uma taxista e uma dançarina,
E estarão sempre aqui.


Isaac Medeiros
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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Você não apareceu


Estou de pé, ao lado de estranhos
Esperando ansioso
Pensei que você viria na hora combinada
Mas você não apareceu
Aquele teu sorriso lindo dá lugar aos risos falsos
Insisto em procurar pelo teu rosto, mas ele não se encontra!
Será uma noite longa... Parece que não vai ter fim
Tento encontrar alguma explicação
Para você não estar ao meu lado
Por que nada é certo em mim?
Está tudo tão confuso
E esta forma de solidão fere minha mente
Ninguém gosta de esperar.
Por que você não veio?
Queria segurar tua mão
E levar-te para algum lugar novo
Longe dessa confusão
E de todo esse barulho de nome carnaval
Mas você não apareceu
Vou para casa, já é dia, só me resta dormir.


Isaac Medeiros.
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sábado, 22 de fevereiro de 2014

Amargo adeus


Chuva matinal, fria de nascimento,
Hoje longa por desejos de constância, agrada
O carinho doce do amante; Segue em direção
O Leste, conduz o homem simples ao trabalho!
Aos pingos geradores! Ah, não abandones os pomares
Cinzas curvilíneas, vitalize a tua névoa
Celestial em cada gota que molha as pequenas sepulturas
No berço, com plena incerteza. E espalhe pelos córregos
Para encher o açude. O teu barulho é despedida,
Cresça o verde sobre o ouro. Rápida partida
Lhe convém; enquanto aos muitos se embrutece o homem
E a mulher pragueja nas poças do firmamento.
Nossos vizinhos dizem teu amargo adeus
Nas lágrimas: com a vastidão tua, fique, acolhe-os.


Isaac Medeiros.
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Quero que você vá


À Yasmim Nóbrega

Às vezes preciso relembrar como se sonha.
Às vezes quero que você fique longe de mim.
Às vezes fico tão pensativo que nem sei
Como consigo voltar à realidade.
Esqueça nossos momentos, nossos planos
Tudo aquilo que você mudou em mim.
Apenas deixe-me voltar ao que eu era
Eu quero que você vá!
Leve toda tua fidelidade.

Às vezes sinto que confio demasiado em ti.
Às vezes sinto que estou se ferindo
Às vezes fico tão pensativo que nem sei.
Mas sobre as escolhas, quero ficar sozinho
E quero que você vá!
Não preciso de você, não quero mais sentir vilipêndio
Não gosto de ser deslustrado
Não quero desculpas, não fique
Eu quero que você vá!


Isaac Medeiros

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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Como não pensar?


I
Estou tentando não pensar em você.
Todo esse esforço não tem valor
Porque a vontade de ti ver é enorme.
Minha querida, por que fazes isto comigo?
O que sinto por você não é suficiente?
Reconheço, tenho pouco a oferecer
Mas o pouco que tenho é todo teu.
Às vezes me pergunto sobre você
Se nos teus planos tem algo sobre mim,
Quando te escuto falar:
– Te amo!
Meu espírito se perde, voa longe
E quando torna minha boca está em seus lábios.

II
Tenho fé na incerteza, não é irreal
A incerteza é alimento do pensar.
Como não pensar em você se tudo que quero e espero lhe possui?
Deveria terminar escrevendo “te amo”
Mas ainda não sei o que é o amor
Apenas continuo aqui, esperando você.


Isaac Medeiros
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