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segunda-feira, 23 de junho de 2014

Longe de mim


Enviei uma foto para você
E você não mandou uma para mim.
Notei seu telefone na minha mão
E calculei o tempo que não te vejo,
Foi preciso um caderno.
Esqueci seu sobrenome
Mas lembro muito bem de você!
O tédio cresce como ramagem
E toma todo o caminho.
Procuro um novo rumo
Enquanto penso em você.
Para que mandar uma nova foto
Sabe-se que você fará o mesmo.
Estou tentando te esquecer
Mas o desejo que tenho por você
Relembra nossos momentos.
A cada instante encontro um amor
Pena que o que quero está perdido
Suspenso, longe de mim.


Isaac Medeiros
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O trabalho Longe de mim de Isaac Medeiros está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
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quinta-feira, 29 de maio de 2014

Fabulando IV



O sonho é a última esperança
Para quem costuma ter esperança.

Sonhar pode não ser a melhor coisa do mundo
Mas com certeza não é a pior.

O sonho pode ser um dos melhores exercícios
Para a mente e para o corpo.

Ser sonhador não é ser alienado,
Sonhar é um ato filosófico, é ser pensador.

Já que não tenho o que quero na vida real,
Ao menos posso ter tudo que quero nos meus sonhos.

Muitas vezes tirara de mim o que tinha,
Mas nunca tirarão o que sonho ter.


Isaac Medeiros.
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Baseado no trabalho disponível em http://intellegere-verbatim.blogspot.com.br/2014/05/fabulando-iv.html.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Pessoa




Respira com consciência
Agora, por mim
Além de inspirar e expirar, se acalme
Que cada fase seja completa
Por um instante.

Ao inspirar e expirar a mente também
Respirando-me, eu oxigenando
Toda extensão e átomos de teu corpo
O ar se esfriar
Também estará em mim.

Apenas a mente, na paz
Apenas tua calma
E eu a respirar, sem ar. Todos aqueles lugares
Que com consciência
E na consciência sumiu.


 Isaac Medeiros.
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domingo, 27 de abril de 2014

Minha versão de tu


À Deisiane Cavalcante

Em teus seios traz um espaço análogo
Um pouco desbotado de um céu nublado.
Teus cânticos em estilo popular, posto que nobre
Difundem tons com as mais sofisticadas interpretações.

Nas tuas leituras sobre os sentimentos do povo Frances
Percebes a necessidade de falar para fora do grupo.
Em teus braços a dança serve de meditação
Como canais de narrativas angelicais.

Nas tuas cartas têm muito louváveis roteiros
Com esforços isolados de protagonistas do seu próprio destino.
Tuas viagens apontam com mais ênfase suas próprias trajetórias
Retornas para uma participação direta na transformação das suas realidades.


Isaac Medeiros.
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quarta-feira, 16 de abril de 2014

Rascunho definitivo

I

Quantos chãos eu já pisei?
Quantos nãos eu já levei?
Quantas lembranças eu chorei?
Quantas vezes eu encarnei?
E você?

Quantos amigos eu ganhei?
Quantos amores eu matei?
Quantas palavras eu calei?
Quantas dores eu cantei?
E você?

Quantos segredos eu já guardei?
Quantos versos eu já rimei?
Quantas mentiras eu jurei?
Quantas vezes eu não sei?
E você?

II

Das vidas sempre serei
Nas canções eu rezarei
E a paz um dia verei.

Ao lado estarei
Sorrisos não prometerei
E outras almas encontrarei.

O fim alcançarei
Poemas não lerei
E a alegria definirei.

Respostas não terei
Alguns sonhos viverei
E o eterno Deus amarei.



Daniel Poésio e Isaac Medeiros
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terça-feira, 8 de abril de 2014

Escrever


Vou escrever diversas vidas
Escrever os significados inomináveis
Escrever, e de novo estarei aqui.
A cultura que volta pousará na esquina.
Escrever, com uma voz ao lado
No mundo assombrado da poesia.


Isaac Medeiros.
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segunda-feira, 24 de março de 2014

Rugas e cores


À Thiago Romero

Sou morador na cidade de sol, sou como um Kelpers
Aqui o único debate público sóbrio e maduro é sobre Deus
Quando no meio dos cachorros as pulgas não têm razão
Perdoar ou comutar as sentenças é ato de ficção.

Sou moderado, uso o direito de graça com parcimônia
Caminho em consonância com a política de abolição gradual da poluição
Minhas canções são arcaizantes ou de imitação da moral
Tenho também um ego do tamanho de um sono à tarde.

Sou contrário ao enforcamento, a cadeira elétrica, a injeção letal e a decapitação
No quarto tenho estoque de remédio para esquistossomose
Ainda traduzo os contos de Ivan Turgêniev
Ainda sou aquele menino vítima da superproteção.

Sou constante, calmo, pequeno e mentiroso
Na produção do novo, esqueço, refaço
Também não sei de números ou namoros
Eis aqui uma das minhas faces, com as rugas e sem as cores.


Isaac Medeiros.
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quinta-feira, 20 de março de 2014

Caos e Dor


Maldito sejas, impiedoso pesadelo,
Teu despertar em tardes quentes e vis,
Em amargos féis traz o dissabor,
Com veneno arruína meu único néctar,
Porque as palavras quebram o silêncio, em fúria
E caos, sem a dor, nunca sentida.
Transformando infatigável crescimento
Para o túnel de luz da assombrosa noite.


Isaac Medeiros.
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sexta-feira, 14 de março de 2014

Palavras certas


Estou de cabeça baixa
Molhando os meus All Stars.
Estou tentando ficar calmo,
Sei que aparecerá por meio de uma leve solidez.
Estou imóvel e desordenado.
Estou procurando as palavras certas
Porque ainda estou muito nervoso,
Tentando não errar
Porque sei que você vale à pena.
Tenho coragem, mas não sei como dizer o que penso
Não pinto sobre o quanto você me deixa louco,
E sinto que queria com você caminhar todos os dias
Isso te sufocaria?
Tenho coragem, mas não sei como pedir que arrazoes
Quero ouvir você dizer:
– Case-se comigo!
Isso me alienaria?
Tenho coragem, mas não sei como ela desfaz meu dizer
Não escrevo sobre o quanto deveria desabafar,
E nessas linhas as palavras continuam faltando...
Isso nos definiria?


Isaac Medeiros
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sexta-feira, 7 de março de 2014

Filmes


e hoje diante do mundo somos como uma só vida.
Pablo Neruda.

I

A noite representa uma canção de estrada.
É uma noite limada.
As pessoas pensam pausadamente
Sem medo de gracejo e barulho.
Ninguém diz desrespeitos
Com sentido em si mesmo.
Com o vento da iluminação
Foi de romance na terça.
O sentido presente para representar
As mentiras destroem no quarto
E eu serei o primeiro velado.
Eu não posso fumar antes:
– Não vejam a solidão!
Perpassei os sorrisos que estão promovendo
Os aplausos vão promover.

II

O antes se venerou nos pensamentos,
Em beijos de vermelho.
Não sobra um pedido
Porque os relógios eram muito coloridos
De Che perto de Lennon perto do Bob.
Longe pintei uma menina
Uma senhora e uma taxista.
Eu fui um motorista medíocre,
Com pequenas curvas
Cheio de bobagens.
Amei aquelas meninas
Uma taxista e uma dançarina,
E estarão sempre aqui.


Isaac Medeiros
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