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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Você não apareceu


Estou de pé, ao lado de estranhos
Esperando ansioso
Pensei que você viria na hora combinada
Mas você não apareceu
Aquele teu sorriso lindo dá lugar aos risos falsos
Insisto em procurar pelo teu rosto, mas ele não se encontra!
Será uma noite longa... Parece que não vai ter fim
Tento encontrar alguma explicação
Para você não estar ao meu lado
Por que nada é certo em mim?
Está tudo tão confuso
E esta forma de solidão fere minha mente
Ninguém gosta de esperar.
Por que você não veio?
Queria segurar tua mão
E levar-te para algum lugar novo
Longe dessa confusão
E de todo esse barulho de nome carnaval
Mas você não apareceu
Vou para casa, já é dia, só me resta dormir.


Isaac Medeiros.
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sábado, 22 de fevereiro de 2014

Amargo adeus


Chuva matinal, fria de nascimento,
Hoje longa por desejos de constância, agrada
O carinho doce do amante; Segue em direção
O Leste, conduz o homem simples ao trabalho!
Aos pingos geradores! Ah, não abandones os pomares
Cinzas curvilíneas, vitalize a tua névoa
Celestial em cada gota que molha as pequenas sepulturas
No berço, com plena incerteza. E espalhe pelos córregos
Para encher o açude. O teu barulho é despedida,
Cresça o verde sobre o ouro. Rápida partida
Lhe convém; enquanto aos muitos se embrutece o homem
E a mulher pragueja nas poças do firmamento.
Nossos vizinhos dizem teu amargo adeus
Nas lágrimas: com a vastidão tua, fique, acolhe-os.


Isaac Medeiros.
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Quero que você vá


À Yasmim Nóbrega

Às vezes preciso relembrar como se sonha.
Às vezes quero que você fique longe de mim.
Às vezes fico tão pensativo que nem sei
Como consigo voltar à realidade.
Esqueça nossos momentos, nossos planos
Tudo aquilo que você mudou em mim.
Apenas deixe-me voltar ao que eu era
Eu quero que você vá!
Leve toda tua fidelidade.

Às vezes sinto que confio demasiado em ti.
Às vezes sinto que estou se ferindo
Às vezes fico tão pensativo que nem sei.
Mas sobre as escolhas, quero ficar sozinho
E quero que você vá!
Não preciso de você, não quero mais sentir vilipêndio
Não gosto de ser deslustrado
Não quero desculpas, não fique
Eu quero que você vá!


Isaac Medeiros

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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Como não pensar?


I
Estou tentando não pensar em você.
Todo esse esforço não tem valor
Porque a vontade de ti ver é enorme.
Minha querida, por que fazes isto comigo?
O que sinto por você não é suficiente?
Reconheço, tenho pouco a oferecer
Mas o pouco que tenho é todo teu.
Às vezes me pergunto sobre você
Se nos teus planos tem algo sobre mim,
Quando te escuto falar:
– Te amo!
Meu espírito se perde, voa longe
E quando torna minha boca está em seus lábios.

II
Tenho fé na incerteza, não é irreal
A incerteza é alimento do pensar.
Como não pensar em você se tudo que quero e espero lhe possui?
Deveria terminar escrevendo “te amo”
Mas ainda não sei o que é o amor
Apenas continuo aqui, esperando você.


Isaac Medeiros
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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Seis horas


Não precisa me culpar
Não precisa se calar
Muito amo teu falar

Não precisa embrutecer
Nem com o silêncio ofender
Muito amo teu cantar

Não precisa ameaçar
Não precisa telefonar
Muito amo teu andar

Se o sorriso sempre há, linda
A vida pouco se percebe passar



Isaac Medeiros.
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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Debilidade Juvenil


Não busques para lá.
O que é, és tu.
Está em ti.
Em tudo.
Cecília Meireles.

Não sou bom em português
Muito menos busco ser
Porém um verbo desejo conhecer

De que vale saber de tantos adjetivos?
Para que usar tantos substantivos
Se não sei conjugar um simples verbo?

Onde se aplica o verbo amar?
Sei que será difícil aprender
Ainda não sei utilizá-lo em primeira pessoa do singular!

Sei, não sou bom em português
Abuso de adjetivos e substantivos
Sempre que rimo com buquês.

É a minha mente redundante
Revisto meu erro revogante
E ganho minha nota provisória.

Sei, não parece psicodélico
Mas com meu pouco português aventuro
Em mundo criado tudo é obscuro.


Isaac Medeiros
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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Muito além das qualidades


Sobrevivo de trabalho sem relação com a Mesa do Desembargo do Paço
Sobre pele visto algodão em preto, linho verde e seda branca
Ao volante trago chá mate e tenho extrema antipatia por trânsito
Minha identidade e processo criativo se conectam.

Por diversos elementos da sofisticada tradição potiguar me comunico
Leio o autor e sua obra que só teve a aceitação e a valorização após a morte
Problemas de instabilidade e violência é uma modesta herança
O barulho é um verdadeiro empecilho a minha solidão.

A burocracia do cumprimento não é tão séria e continua como deveria ser
Pinto os tormentos sofridos e superados com a ajuda do vinho
Os amores, condensados em poemas, será uma hagiografia
Que inspirará a vida no campo em oposição ao classicismo de artistas contemporâneo.

Preciso imaginar novas formas de ver o povo, chega de Bartolomé
No espetáculo da democracia ainda experimento a capacidade de agir
Meu espírito não faz contato imediato com o mundo
É que o juízo fez parecer que a realidade imaginava metáforas.

Aquele tempo de silêncio e de suspeita é interpelado pela literatura
As mutilações infligidas no desejo exigem à reclusão circunspecta
Velhas formas elípticas de aludir ao poder controlam o isolamento
E a respiração que está um pouco menos artificial.

Consumo fenômenos novos e influentes na produção cultural
Uma doce alternativa ao desejo de romper com a opressão
Além de exteriorizar a aquiescência por meio de cânticos tradicionais
A costumaz ironia protagoniza conchaves e casos de servidão.


Isaac Medeiros.
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domingo, 15 de dezembro de 2013

Uma canção de rádio


À Ielon Gustavo

Pelo rádio aprendi uma estória de um homem varonil
Amargo e opaco, sorrir é sua principal função social
Ao alimentar seus gatos gera proles sadias
Utopia que arruína o combate ao imaginário pagão.

Em encontros revela hábitos considerados virilizantes
Seus flertes não oferecem recursos ao egoísmo
Vive no álcool imensa diversão do espírito
Como se colocasse orgulho sem limites nos tragos.

Enquanto caminha com passos libertinos
Pululam nos sapatos cores celibatárias
De uranistas com incapacidade acentuada para adaptar-se à norma
Moradores de territórios de proezas e exotismo.

A imagem de desquitado oblitera uma realidade sensível
Cordial ou branda a repressão do ócio é figura da vadiagem.
Quando a rua se torna um carnaval lascivo
Devemos considerar a racialização do sexo?

Tem na forma de tratar um paradigma legítimo
O abraço prodigioso não coloca o outro como subalterno
Se a natureza lhe permite ações machistas e misóginas
É porque recorres a mecenas que lhe garante prestígio e proteção.


Isaac Medeiros
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domingo, 8 de dezembro de 2013

As lições nebulosas existem


Se todos os sentidos do corpo indicam o que os afeta,
ignoro o que mais se possa exigir deles.
Agostinho.

Pela manhã tua boca fala com a desenvoltura de quem canta
Por isso o abraço aponta onde estão as obras do corpo
Do ponto de vista da gratidão estamos estagnados
Durante os segundos que explicam estratégias de concretização
Houve um entrave, sob pena de prejudicar nosso processo evolutivo.

Não sonho criar mecanismos de financiamento e de acesso à beleza
É uma questão de definir padrões e reconhecer sistemas
Ainda precisamos urgentemente conhecer a si próprio
Podemos pensar em outros insumos voltados para a satisfação da alma
Mas os espíritos vulneráveis em relação ao sofrimento estão na ociosidade.

Somente à tarde sinto o vento de nossa janela demográfica
Você tem a cultura de responsabilizar a razão pela falta de preparo
A solidez capaz de suplantar o caráter transitório
E equitativo de sentir a ausência do silêncio
Impera o direito de intervir nos valores hegemônicos.

Não suponho que a fronteira entre o necessário e o possuído
Hoje fique mais tênue ou as contradições menos exacerbadas
Mediante a ampliação do desespero único no teu inferno
Seco e processual também passaram a ser interpretado de outra forma
Um lar onde realidade e linguagem não se prendem.


Isaac Medeiros.
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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Para sempre

À Iracilda Medeiros

I

Distante de ti lembrarei os pequenos abraços
Carro e bicicleta sempre se perdem
E diante disso eu abdicarei feliz dos teus sapatos
Tu me esqueceras como desejo de velho
Como o primeiro aniversário do avô do asfalto
As caminhadas continuarão a finalizar todas as tardes
Os lugares estranhos ainda me assustam
Evita o escuro para melhor sonhar.
Tua ausência é forte mesmo na primavera.
Busco a solidez em mim
Na direção do horizonte.

II

A sua ação me provoca arrepios
Escuto o silêncio amargo e dependente
Longe eu perco os sorrisos das mulheres
Diferentes na vontade que nunca falaram de ti
Evita que os ventos destruam teus penteados,
Esses sempre acalmaram um dia sem mim
Sem passeios curtos, sem grandes sombras.
Tem naquele que não foi a sua perna que me acompanha
Que me prende fraco em pouco tempo.
Nós seríamos únicos, porque teu grito eu o completo.
Evita que as chuvas caiam sobre tuas roupas.
Essas te marcaram por demais
E às vezes fez mares de lágrimas
Que nunca esqueceras.

III

Lembrarei as tuas promessas de vinda.
Os almoços felizes estão no meu desejo.
Descansarei sem ti como o primeiro santo
Que levado pelo esquecimento não cantará.

IV

Lembrarei os teus pecados cometidos.
Os parques estarão vazios sempre
O carrossel e a roda gigante.
Sua orelha não mais pesará
Metal e plástico sobre o amarelo.
Seu nariz não mais sangrará
O branco do lenço que recebeu ao amanhecer
Pois dançaremos música clássica
Na estação que deverá ser primavera.
Para sempre lembraremos ela como o primeiro beijo
Para sempre estarás comigo.


Isaac Medeiros
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