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quinta-feira, 29 de março de 2012

Aflição

Muitas coisas para mim são aflitivas
O bom é que quase sempre denotativo
Tento não dá atenção
Mas é algo afetivo

Às vezes quero usar isso para me fortalecer
Mas perco tudo depois de uma noite

O que era aflição torna-se medo
De coisas banais, simples, normais
Um som, uma roupa, um grito, um dedo
Isso por causa do homem ou talvez dos animais

Tudo parece está escuro
Escondido, preso atrás de um muro
Sinto-me lá, quero sair, grito, mas estou mudo
Sem palavras quando cuido
Estou sentando, ouvindo Amy Lee
A aflição padece
E uma lágrima cai.


Isaac Medeiros
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O trabalho Aflição de Isaac Medeiros foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.

domingo, 25 de março de 2012

Fabulando II

Posso até não acreditar no amor
Mas sempre busco aprender sobre ele.

Se o amor fosse um livro infantil
Seria uma pequena criança
Na espera de alguém para lê-lo para mim.

Melhor que se apaixonar por alguém
Amar alguém
É saber que alguém está apaixonado
Amando você.

Mesmo desconhecendo o amor
Mesmo não chegando a conhecê-lo
Conseguir acreditar nele
Ou quem sabe conviver com ele
Já é o bastante.


Isaac Medeiros
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segunda-feira, 12 de março de 2012

Fabulando

Deixando pra trás tudo que perdi
Sigo em frente buscando o que nunca tive

Quando penso naquilo que nunca tive
Fico triste
Mas se penso que jamais terei
Eu choro.

Talvez o importante não seja lutar pelo que não se tem
E sim por aquilo que já te pertence.

Se compreendes a vida como uma caixinha de surpresas
Cuide muito bem dela para não quebrar
Pois se isso acontecer
A música deixa de tocar
E seu coração de dançar.

Viver sem ter o que se quer
É aprender a viver com o que se tem.


Isaac Medeiros
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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Na estranha manhã

Essa manhã de sol começa primeira
Fazendo fogo na cozinha,
Fazendo bolas de farinha
Distante do pão 2000 anos.

A luz solar penetra a janela do alto
Formas cinza mancham o branco da parede.
Corpos vazios na direita
Porque no centro barulho e confusão.

Ao norte vozes chegam coloridas
Trazem mensagens rasas em negrito.
O vapor do leite fumegante
Me mira eu falo.


Isaac Medeiros.
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Deisy

Não posso simplesmente fechar os olhos
E fingir que tudo está bem.
Tenho que parar de fugir da realidade:
Estou te amo

Então me coloca no colo qualquer hora dessas
E diz o quanto me adora,
Precisa de mim e sente minha falta.

Mas, não diz agora não
Espera eu estar distraída,
Fingindo não estar esperando tanto por isso.


Deisiane Cavalcante
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sábado, 14 de janeiro de 2012

Indulto

Eu lutei para acabar com a dor
Mas infelizmente só me trouxe mais
Eu tentei de todas as maneiras
E estou vertendo
Arrependimento, sofrimento e hesitação.

Estou dizendo adeus, rezando
Pulando e gritando
Estou morrendo e muito perdido
Para que possa ser salvo
Meu Deus, torne
Retorne para minha salvação

Você se recorda de mim
Perdido há muito tempo
Orando e indagando
Você se encontra do outro lado?
Dará o meu perdão e salvação?

Meu corpo chora pela sepultura
A minha alma por libertação
Serei negado?
Deus, cristo, meu suicídio.


Isaac Medeiros
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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Beijo

Eu parecia tão feliz naquele dia
Borboletas dançavam quando eu girava
Hoje as noites são sozinhas
Fecho a janela que entrava o vento

Eu parecia tão capaz de amar
Beijar a menina no carro do meu pai
No silencio ouvir as pessoas gritarem:
“Agora o moço é feliz! Viva a felicidade!”


Isaac Medeiros
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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Declaração fenomenal?

Inadmissívelmente meu corpo luta com a mente
Sedição entre desejo e lógica
Amor e paixão
Amigável, simples, humilde, generoso
Carinhoso, expressivo, sincero.

Gaiato talvez, cínico as vezes
Porém ufano e sempre buscando seus desejos
Nem sempre enfrentando seus temores
Nunca por vaidade, quem sabe medo
Essa é sua fragilidade, mas não a única
Radiante de maneira oculta, diferente.

Simples de aceitar, difícil concordar
Essa ânsia torna-se preconceito
Mas é fácil de encarar, uma vez que humilhante
Parece ser legal, mas consideram estranho
Raramente desperta elogios que cairiam bem, todavia
Esses já foram feitos, ditos e jamais serão esquecidos.


Isaac Medeiros
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sábado, 5 de novembro de 2011

Vínculo Quimérico

Há tempo possuía um ideal
Idealizando ideação de idiossincrasia
E Almejo o não possuído
Ser vip para uma sociedade burguesa
Burlando minha personalidade
Se é que posso ter uma
Nesse amontoamento de etnias

Em meio a essa busca descobri a amizade
A compreensão, sinceridade, afeição
Algo afobado porém transparente
Que consegue dar-me um novo ideal
Com novas fronteiras e caminhos
Mas, com desejos parecidos.

Poucas coisas conseguem destruir esse laço
A quem temíamos
Nos venceu
O destino.


Isaac Medeiros
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sábado, 8 de outubro de 2011

Felipe e Ana

Ninguém hoje irá fazer
Para ser certo
No rumo da mudança?
E ninguém irá fazer
Para não ser certo?

Felipe viu a luz, puxou de uma vez as cortinhas
Descalço no chão e espreguiçou-se
Agora Ana relaciona sua poesia
Ao lado da Universidade no diário de campo

Felipe e Ana entraram em um mesmo ônibus no dia seguinte
E sentados ao lado do outro se conheceram
O caminho do trabalho do Felipe diminuiu
“A praia é legal e vou muito caminhar pela manhã”

Compromisso marcado em dia de semana
“Eu estou atrasado”, “não pretendo faltar hoje”
Ana feliz perguntou sobre sua casa
Queria saber mais sobre o “embaçado”
E o Felipe, empolgado, só pensava em impressionar
“Patrocinado pela Pena, eu vou pro mar”

Felipe e Ana desceram juntos
Caminharam e alongaram na areia
O Felipe apontava para as ondas
Enquanto a Ana falava sobre Cancioneiro

No outro dia já era sábado
A Ana não tinha reunião e o Felipe treino
A praça não era tão verde, mas Felipe nem reparou
O encontro estava sendo perfeito

Felipe e Ana não eram iguais
Ela era professora e ele tinha dezenove
Ele tinha patrocínio e conhecia o Havaí
E ela nunca tinha saído do Estado.

Ele ouvia Jack Johnson e Elvis Costello
Usava seda e boné, tinha tattoo e cordão
E a Ana lia Dhyana de pijama
E pintava rios 16x20 em tela fina

Ela escrevia poemas sobre o Dragão do Mar
Além de sonhos e profissões
E o Felipe cuidava do cabelo
Aluguel, comida, doces, cervejas

E nessas diferenças criou-se um acerto
Uma saudade de chorar
Eles telefonavam todo dia
E a saudade não sumia

Felipe e Ana fizeram meditação, escalada
Natação, futebol e foram para o Havaí
A Ana recitava no ouvido do Felipe
Inquietude e ignorância são erradicadas com amor

Ele a ensinou a pescar, fez pedra nadar
Não parou de voar
E ela publicou o primeiro livro
No dia em que ele escreveu o primeiro soneto.

Conheceram os sogros um do outro
Festejaram o casamento
E os amigos sorriam de seus exageros
O limite de um era a potencialidade do outro

Deixaram suas casas pouco tempo depois
Quando os prêmios aumentaram de valor
Decidiram não arriscar, trabalharam firmes
Temiam o desassossego da dependência

Felipe e Ana estão em Fortaleza
Os nossos passeios são sempre demorados
Mas não teremos muita escolha
Agora a Ana tem enjôo e desejos toda noite

E ninguém hoje irá fazer
Para ser certo
No rumo da mudança?
E ninguém irá fazer
Para não ser certo?


Isaac Medeiros
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A obra Felipe e Ana de Isaac Medeiros foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Obras Derivadas Proibidas 3.0 Não Adaptada.
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