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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Cores e Registros



Vejo programas escolares que são racistas
E o brilho branco embaça os olhos da sociedade
Onde a carência de vozes capacitadas
São matrizes em ausência com vários entraves.

Escuto argumentos de temas privilegiados na mídia
Correlatos que prevêem o impressionante
Que não resiste em tornar invisível às desigualdades
É a liberação sistemática para qualificar quadros evidentes.

Sinto alegria ao edificar o conceito de formação nacional
O debate é composto e precisa de conflitos ao programar
Nas verbas governamentais existe uma demonização?
Conhecemos a trajetória das relações etnicorraciais?

Observo populações trabalhadoras na República velada e sutil
Diante de xingamentos precoces com viés embranquecedor
Com prerrogativa radical, sem intenção, com exaustão e sem propósito
A constituição do movimento negro no Brasil não é ignorado ou desvirtuado.

Alimento minhas ideias com a Frente Negra Brasileira
Aglutinando vários protestos do King Jr. à força dos Panteras Negras
Porque políticas públicas não são inspiradas no poder dessas organizações
Sua lógica é escrita por líderes no executivo e suas retaliações desfiguradas.


Isaac Medeiros.
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quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Músicas de bar

Para ignorar os que perseguem
Siga instintos, os absurdos
Para esconder a altivez
Mergulhe em novos pensamentos:

De sentar para esperar,
Pagar uma rodada vermelha,
E acreditar em algo.

Enganar a falsidade,
Não confiar em ninguém,
E viver na solidão.

Ao perguntar os porquês,
Investigar no íntimo,
Descobrir o que não podes,
E ficar em si mesmo:

Guardar algo que não podes,
Usar quando está fraco,
E saber que vive enfraquecido.

Não guardar nada que possa,
Impedir as mesmas dores,
E viver como todo fracassado.

Para não dar as costas,
Ficar na defensiva,
Não fugir dos problemas,
E nunca esconder o orgulho:

Permitir a evasão do erro,
Tentar um vôo e pegá-los,
E ficar mais calmo.

Pensar em todo o medo,
Estar muito perdido,
E ficar fora de alcance.

Se esperar sempre por você,
Sem saber sempre o que dizer,
Sem saber o que fazer,
Saber tudo o que você me diz:

Amar o que você não sabe,
Negar o nosso tempo,
E ensinar, vamos...

Aceitar o que se faz,
Tentar o tanto que dá,
Não convencer a si mesmo,
E dançar sem forças:

Não guardar nada que possa,
Impedir as mesmas dores,
E viver como todo fracassado.


Isaac Medeiros.
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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Forças Armadas para Defender os Civis

Then to the elements.
Be free, and fare thou well!
Thomas Mann.

Poderes quase ilimitados
Cultura de impunidade.
Se a força é maior
O consenso é menor.
Ditabranca é argumento falso
De indivíduos opressores.

Elites burocráticas com cooperação
Entre instituições e o regime.
Resistência social para o fim
Não finaliza práticas repressivas.
Por um senso comum democrático
De políticas de memória.


Isaac Medeiros.

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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Visita

À Iracilda Medeiros.

A água formava poeira
A poeira doía nos olhos
Os olhos eram pérolas de Atlântida.

Meus verbos cheios do onírico
Minhas idéias criando vícios
Minha memória confusa com as datas.

Cedinho, minha boca a falar
Foram como promessas
E o fim da gentileza
O pedido para parar
Caiu violentamente para notar.


Isaac Medeiros.
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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Homo vales

Os antros das feras foram convertidos
em prósperos estabelecimentos do homem
Rugendas

Não busco em céu estrelado
A nossa linhagem hominínia
É de ancestrais carniceiros
Nossa vontade para o amado
Australopithecus sediba
Ou garhi, seremos jardineiros.


Isaac Medeiros
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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Uma cena de exceção


Não sou uma solene imagem
Ainda que seja em seu visor estereoscópico.
De pé a sombra de teu trono metódico
Integro a ilusão de se estar dentro da viagem.

Dessa estranheza improvável para os desejos,
Os insuficientes sentimentos de cooperação
Conforme o atributo banal de toda agitação,
Revela um efeito próximo à visão real de beijos.

Que sugerem os particulares eventos afirmativos
Da conduta entre irmãos e de vetusta coleção.
Em ondas de luz guardo honrosa anotação
“Viver com as incertezas que compõem o subjetivo”.

A convivência com relações diretas sob dossel interpretação,
Contém as dores, anilado o céu, por si evocando
Novo começo, a continuação do que seguimos contemplando.


Isaac Medeiros.
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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Aparência


À Rodrigo Rocha

Falta de caminhadas e pedaladas entristecem
Como o excesso de imagens nos faz
Mentalmente preguiçosos e relegados
A um segundo plano que não são convergentes:
Se raro mergulho em metáforas de denúncia?
Se não associo a construção do conhecimento pela ironia?
Se não encontro na superfície da vida apenas o humor?
Sem ênfase no imagético vivo a existência como nada?


Isaac Medeiros.
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quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Deixe-me viver

À Kenedy Mota (in memoriam) .

Perdi minha última esperança
Você seguiu ao amanhecer
E contíguo a minha calma.

Onde estará aquela razão otimista?
O pessimismo veste meu espírito?
O que abastarda não é uma forma reprimida?

Antes alimentava imprecisões
Agora fidúcias me fortalecem
Faltam partes no meu todo
E sobra tudo em várias partes
Estamos perdidos
E não sabemos aonde procurar.

Já não posso dizer
Sobre o ato de sentir
O artifício que nos move
Dos desejos que afasta
Quem pode erigir o silêncio?
Jura-me, deixe-me viver novamente.


Isaac Medeiros.
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quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Nova egressão


O mundo é um sepulcro de tristeza.
Augusto dos Anjos

Chegada triunfante
Pode acontecer de ser para sempre.
Desci na manhã pelo imenso verde                      
Esperando abraços na frente.
Teus desejos difundem tristeza
Nesse doce sol quente?
Mas deu muita preocupação
Que apavorou essa gente?


Isaac Medeiros.
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quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Fora do passo


Existem muitas formas das pessoas
Ferir-me por dentro
Quer saber o que penso de você agora?
Protejo isso muito além da cortesia
Antes comentava, eu contive
Tudo que era necessário para ir adiante
Com medo de dizer o que era preciso
Com medo de dizer o que tinha em mente
Sei que você falou muitas coisas sobre mim
Quando eu não estava por perto
Você acha que por ter uma floração positiva
Tem o direito de me desapontar
Várias pessoas gostam de mim
E colocam muita confiança em suas mentiras
Tantas pessoas gostam que eu fique
Pisando em dejetos o dia inteiro
Tudo que sei e tudo que quero
É sentir que não estou fora do passo
Que jamais confiarei
Numa única palavra dita por você.


Isaac Medeiros.
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