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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Na estranha manhã

Essa manhã de sol começa primeira
Fazendo fogo na cozinha,
Fazendo bolas de farinha
Distante do pão 2000 anos.

A luz solar penetra a janela do alto
Formas cinza mancham o branco da parede.
Corpos vazios na direita
Porque no centro barulho e confusão.

Ao norte vozes chegam coloridas
Trazem mensagens rasas em negrito.
O vapor do leite fumegante
Me mira eu falo.


Isaac Medeiros.
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Deisy

Não posso simplesmente fechar os olhos
E fingir que tudo está bem.
Tenho que parar de fugir da realidade:
Estou te amo

Então me coloca no colo qualquer hora dessas
E diz o quanto me adora,
Precisa de mim e sente minha falta.

Mas, não diz agora não
Espera eu estar distraída,
Fingindo não estar esperando tanto por isso.


Deisiane Cavalcante
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sábado, 14 de janeiro de 2012

Indulto

Eu lutei para acabar com a dor
Mas infelizmente só me trouxe mais
Eu tentei de todas as maneiras
E estou vertendo
Arrependimento, sofrimento e hesitação.

Estou dizendo adeus, rezando
Pulando e gritando
Estou morrendo e muito perdido
Para que possa ser salvo
Meu Deus, torne
Retorne para minha salvação

Você se recorda de mim
Perdido há muito tempo
Orando e indagando
Você se encontra do outro lado?
Dará o meu perdão e salvação?

Meu corpo chora pela sepultura
A minha alma por libertação
Serei negado?
Deus, cristo, meu suicídio.


Isaac Medeiros
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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Beijo

Eu parecia tão feliz naquele dia
Borboletas dançavam quando eu girava
Hoje as noites são sozinhas
Fecho a janela que entrava o vento

Eu parecia tão capaz de amar
Beijar a menina no carro do meu pai
No silencio ouvir as pessoas gritarem:
“Agora o moço é feliz! Viva a felicidade!”


Isaac Medeiros
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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Declaração fenomenal?

Inadmissívelmente meu corpo luta com a mente
Sedição entre desejo e lógica
Amor e paixão
Amigável, simples, humilde, generoso
Carinhoso, expressivo, sincero.

Gaiato talvez, cínico as vezes
Porém ufano e sempre buscando seus desejos
Nem sempre enfrentando seus temores
Nunca por vaidade, quem sabe medo
Essa é sua fragilidade, mas não a única
Radiante de maneira oculta, diferente.

Simples de aceitar, difícil concordar
Essa ânsia torna-se preconceito
Mas é fácil de encarar, uma vez que humilhante
Parece ser legal, mas consideram estranho
Raramente desperta elogios que cairiam bem, todavia
Esses já foram feitos, ditos e jamais serão esquecidos.


Isaac Medeiros
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sábado, 5 de novembro de 2011

Vínculo Quimérico

Há tempo possuía um ideal
Idealizando ideação de idiossincrasia
E Almejo o não possuído
Ser vip para uma sociedade burguesa
Burlando minha personalidade
Se é que posso ter uma
Nesse amontoamento de etnias

Em meio a essa busca descobri a amizade
A compreensão, sinceridade, afeição
Algo afobado porém transparente
Que consegue dar-me um novo ideal
Com novas fronteiras e caminhos
Mas, com desejos parecidos.

Poucas coisas conseguem destruir esse laço
A quem temíamos
Nos venceu
O destino.


Isaac Medeiros
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sábado, 8 de outubro de 2011

Felipe e Ana

Ninguém hoje irá fazer
Para ser certo
No rumo da mudança?
E ninguém irá fazer
Para não ser certo?

Felipe viu a luz, puxou de uma vez as cortinhas
Descalço no chão e espreguiçou-se
Agora Ana relaciona sua poesia
Ao lado da Universidade no diário de campo

Felipe e Ana entraram em um mesmo ônibus no dia seguinte
E sentados ao lado do outro se conheceram
O caminho do trabalho do Felipe diminuiu
“A praia é legal e vou muito caminhar pela manhã”

Compromisso marcado em dia de semana
“Eu estou atrasado”, “não pretendo faltar hoje”
Ana feliz perguntou sobre sua casa
Queria saber mais sobre o “embaçado”
E o Felipe, empolgado, só pensava em impressionar
“Patrocinado pela Pena, eu vou pro mar”

Felipe e Ana desceram juntos
Caminharam e alongaram na areia
O Felipe apontava para as ondas
Enquanto a Ana falava sobre Cancioneiro

No outro dia já era sábado
A Ana não tinha reunião e o Felipe treino
A praça não era tão verde, mas Felipe nem reparou
O encontro estava sendo perfeito

Felipe e Ana não eram iguais
Ela era professora e ele tinha dezenove
Ele tinha patrocínio e conhecia o Havaí
E ela nunca tinha saído do Estado.

Ele ouvia Jack Johnson e Elvis Costello
Usava seda e boné, tinha tattoo e cordão
E a Ana lia Dhyana de pijama
E pintava rios 16x20 em tela fina

Ela escrevia poemas sobre o Dragão do Mar
Além de sonhos e profissões
E o Felipe cuidava do cabelo
Aluguel, comida, doces, cervejas

E nessas diferenças criou-se um acerto
Uma saudade de chorar
Eles telefonavam todo dia
E a saudade não sumia

Felipe e Ana fizeram meditação, escalada
Natação, futebol e foram para o Havaí
A Ana recitava no ouvido do Felipe
Inquietude e ignorância são erradicadas com amor

Ele a ensinou a pescar, fez pedra nadar
Não parou de voar
E ela publicou o primeiro livro
No dia em que ele escreveu o primeiro soneto.

Conheceram os sogros um do outro
Festejaram o casamento
E os amigos sorriam de seus exageros
O limite de um era a potencialidade do outro

Deixaram suas casas pouco tempo depois
Quando os prêmios aumentaram de valor
Decidiram não arriscar, trabalharam firmes
Temiam o desassossego da dependência

Felipe e Ana estão em Fortaleza
Os nossos passeios são sempre demorados
Mas não teremos muita escolha
Agora a Ana tem enjôo e desejos toda noite

E ninguém hoje irá fazer
Para ser certo
No rumo da mudança?
E ninguém irá fazer
Para não ser certo?


Isaac Medeiros
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terça-feira, 4 de outubro de 2011

Camila

Quando você estiver pronta
A poeira da calçada
Vento fraco da noite
Atrapalhando a risada

Quando você estiver pronta
A aflição que te move
Te leva para longe
Destruindo o que tem pouco

Quando você estiver aqui
Chegada marcada
O abraço da saudade danada
Eu não quero ser seu medo o desejo capaz
De trazer você da vontade

Quando você estiver pronta
O rio chegando no mar
Quero mergulhar apenas contigo
Pra segurar sua mão com a minha

Quando você estiver pronta
Cabelos pretos sobre os ombros
E os pequenos passos teus
Estarei feliz com você

Se eu espero você
Se eu escrevo pra você
Eu estarei pronto
Para você.


Isaac Medeiros
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sábado, 1 de outubro de 2011

Mensagem

Muito obrigado é suficiente para você?
Você está sempre confusa.
Antes tinha escolhido uma noite
Nós olhamos firmes.

Você tem que me beijar.
Você me quer.

Sonhe e permita ter motivos suficientes.
Evite a partida, embora você
Evita a presença, meu amor
Permita-se.

Sou inocente também
Você sabe o quanto eu quero
Nada está escuro agora
Nós ouvimos o sorriso.

Você tem que me beijar.
Você me tem.

Braços erguidos com punhos firmes
Se jogue...
Vamos perder a inocência juntos
Não existe paixão errada.

Sei que esteve desenvolvendo
Enquanto há perfume.
Eu sei que você pediu ajuda
Você procura se permitir a mim.


Isaac Medeiros
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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Entregar

Doença a gente aguenta
Tudo a gente tem
Passe o que passar
Fique o que ficar

Doença a gente tem
Tudo a gente aguenta
Fique o que passar
Passe o que ficar

A doença que eu tive
No momento não sabia
Desconhecer o motivo é o que conquistei
E durmo ainda para a doença agüentar
Pudendo sem motivo por ela chegar
Apenas cantar
Nada sei onde tudo vai parar

A velocidade esteve aqui, o olho é que não viu
Deixa sua marca, ela tira paz
Como se sentir fosse capaz
Conversar com Deus, não glorificar
Perder toda folia e melancolia
Entregar.


Isaac Medeiros
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